quinta-feira, agosto 11, 2005

Desenvolvimento Sustentável e Energia

No texto de dia 26 de Julho ‘A importância do Protocolo’, deixei no final um sinal de que iria voltar a falar do desenvolvimento sustentável em Portugal, fazendo também referência à situação energética mundial.

Pois bem, consultando o arquivo da Quercus, constatei que o relatório elaborado por Portugal, a apresentar às Nações Unidas antes da cimeira da terra de 2002, é um relatório vago. Poucos ministérios participaram na elaboração do relatório, ficando certas áreas bastante debilitadas devido ao seu carácter demasiado descritivo das metas a atingir ficando um pouco desfavorecidos os procedimentos já executados rumo a esses objectivos. Quando comparado com o relatório do Reino Unido é considerado muito fraco mesmo tendo em conta as falhas do relatório Britânico.
O relatório é também fraudulento por afirmar não verdades de modo a iludir as Nações Unidas.
Em suma, revela que o governo Guterres pouco ou quase nada fez em prol do desenvolvimento sustentável em Portugal.
O objectivo do relatório era a avaliação da ‘Agenda 21’, que define o conjunto de medidas a adoptar durante o século XXI a favor e de modo a garantir o desenvolvimento sustentável da civilização. Relativamente a esse documento que seria muito útil aos mais curiosos de modo a terem meios de avaliação das políticas actuais, é a meu ver um assunto tabu visto que não o consegui encontrar em lado nenhum. Falando com uma profissional da área de Ambiente confirmou-se a inacessibilidade do documento à maioria dos cidadãos. Só as empresas e instituições que se vêm obrigadas a cumprir os procedimentos descritos no documento têm inevitável acesso a ele. Fiquei algum tempo à espera do prometido documento por essa pessoa, mas até agora nada, ainda não surgiu oportunidade de ‘sacar’ uma cópia.
Eu considero importante a publicação do documento, só assim poderemos saber em concreto o que terá sido feito nos últimos três anos se é que algo foi feito desde então.
Por este andar, só quando tivermos que apresentar contas perante o mundo civilizado novamente é que vamos ter acesso a mais um relatório, recheado de mentiras adaptadas à pressão e elaborado sem qualquer consulta pública nem qualquer participação nem opinião do cidadão comum.
Alguns dos leitores poderão achar esta manifestação de descontentamento algo inútil e sem interesse, o que será importante neste momento será a situação política interna. Mas repare-se que é isso mesmo de que estamos a falar. Do cumprimento de directivas que asseguram uma globalização sustentável no seu estado mais puro. O esclarecimento de todos acerca desses objectivos fulcrais ao desenvolvimento, é essencial para que possamos detectar as mentiras pela raiz de modo a serem eliminadas no momento em que ainda têm uma pequena e controlável dimensão. O presente mostra-nos que somos sempre enganados durante algum tempo, só quando os factos estão já consumados há lugar para a informação, quando já nada ou pouco há a fazer para se corrigirem os erros, restando depois a revolta e a indignação por falta de coesão social desde o ínicio das fraudes. É esta a maior cegueira, pior ainda do que quem não quer ver, é aquele a quem não deixam ver sem o próprio saber.

Por falar em cegueira, e relativamente ao aeroporto, além de todos os argumentos válidos e claros da opinião pública acerca do mau carácter do investimento, descobri um dado que derruba de vez o projecto. Em termos energéticos, a construção de um aeroporto no ano de 2005 já seria uma tremenda asneira, mas como seria mais tarde ainda maior seria também a asneira. É que segundo este documento, daqui a 25 anos, em 2030, os recursos de petróleo só vão ter capacidade para permitir 60% do tráfego aéreo de passageiros actual colocando em risco a indústria aeronáutica (Página 9, Parágrafo: “Runways”). Não existem ainda perspectivas de substituição do petróleo por alternativas aplicáveis à aeronáutica anunciando-se o seu inevitável termo.
As energias alternativas são um objecto de estudo de elevada importância mas no caso da aeronáutica são irrelevantes os progressos que se venham a adquirir nos próximos anos.
Os EUA continuam a sua épica batalha pelo controlo dos combustíveis fósseis, ao mesmo tempo desenvolvem alternativas viáveis não dando aso contudo à prosperação das alternativas. Gerem o negócio até à última gota, garantido a dependência energética mundial com o objectivo de serem sempre detentores dos principais meios energéticos.
É nesta altura de início de século, em que o ciclo do petróleo vai entrar na sua fase decrescente, em que os preços do barril vão subir permanentemente, importante a autonomia energética dos países.
Não chegam os projectos no âmbito da energia eólica, é necessário fazer muito mais, dar oportunidade a todos os meios conhecidos e ao seu desenvolvimento.

3 Comments:

Blogger H. Sousa said...

Por mais que gente inteligente alerte para o problema energético, os governos de imbecis nada farão. Só sabem obedecer às ordens dos patrões. É óbvio que temos que desenvolver novas formas de aproveitamento de energia. E adoptar políticas de eficiência energética.

12:17 da tarde  
Blogger rajodoas said...

Caro TNT isto não é tanto por uma questão de imbecilidade dos governantes
mas sim meros interesses económicos. É preciso não esquecer a grande receita proveniente do ISP (imposto sobre os produtos petrolíferos) que os diversos
paises arrecadam.

12:29 da tarde  
Anonymous Salma said...

Xipsocial, eheh, nome engraçado, digamos assim. Pois é, visitei o blog. Levantas questões pertinentes, embora nem sempre concorde com algumas das tuas análises. Bom, quando achar pertinente o debate, cá estarei.

1:09 da manhã  

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